Pela primeira vez na história, a China é o maior exportador de automóveis a nível mundial. Entre janeiro e agosto de 2023, a China exportou uns impressionantes 3.22 milhões de automóveis, ultrapassando o Japão.
Em comparação com o mesmo período do ano passado, as exportações da indústria automóvel chinesa cresceram 65%, sendo que nos oito primeiros meses de 2023 a China conseguiu praticamente igualar as exportações de todo o ano de 2022.
Recordamos que o volume de exportações em 2022 foi de 3.4 milhões.
Novo recorde a caminho?
Depois de um aumento de 103% nas exportações em 2021, e de 55% em 2022, a China caminha a passos largos para mais um ano recorde. 2023 tem tudo para tornar-se o ano em que a indústria automóvel chinesa mais exportou.
Mantendo este ritmo, a China chegará ao final do ano com mais de 5 milhões de automóveis exportados para todo o mundo.

China exporta mais e mais caro
A somar ao aumento nas exportações, também se registou uma subida no preço médio dos automóveis exportados: 20 000 dólares (18 950 euros) nos primeiros oito meses de 2023 contra os 18 000 dólares (17 054 euros) registados em 2022.
Contas feitas, de 2022 para 2023, o valor médio dos automóveis exportados pela China subiu 11%.
Naturalmente, este número ganha ainda mais relevância depois de, na semana passada, a União Europeia ter anunciado que está a investigar os subsídios do governo de Pequim à indústria automóvel chinesa, com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, a afirmar:
Os mercados globais estão inundados com carros elétricos chineses baratos que têm subsídios de Estado. (…) Isso está a distorcer o nosso mercado.
Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia
“O seu preço (dos automóveis elétricos chineses) é mantido artificialmente baixo por conta de grandes subsídios do Estado”, acusou a presidente do Executivo comunitário.
Mesmo assim, a União Europeia está longe de ser o principal destino dos automóveis exportados pela China.
Rússia é o principal importador
Nenhum país compra tantos carros à China quanto a Rússia. Nos primeiros oito meses de 2023 (de janeiro a agosto), 16,9% dos carros exportados pela China tiveram como destino a Rússia, o que equivale a qualquer coisa como 544 000 automóveis.
Relativamente ao mesmo período de 2022, estamos perante um aumento de 664%, que se explica, em grande parte, pelas sanções impostas pelo ocidente à Rússia, com diversos países a suspenderem as exportações para aquele país. Por isso mesmo, a tendência é que este número continue a subir nos próximos meses.
Abaixo da Rússia surge o México, com 257 000 automóveis chineses exportados nos primeiros oito meses do ano, o que equivale a 8% da exportação automóvel chinesa. A Bélgica surge em terceiro, com 155 000 automóveis, o que representa 4,8% da fatia das exportações automóveis da China.